segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Essa tal felicidade

O que é que você acha que significa este sorriso? O que faz este homem sorrir de maneira tão espontânea e traduzir tanta satisfação?
Encontramos este sorriso, no sertão do Pajeú, em Pernambuco, numa localidade chamada Sítio Serra Branca, na zona rural do município de Betânia.
Ele dá nó na cabeça de gente que crer na teologia da prosperidade, de gente que reclama quando falta alguma coisa e de crente metido a patrão de Deus (daqueles que ficam ordenando as coisas para Deus - você conhece algum desse tipo?).
O dono deste sorriso tem nome: Edvaldo. Através de sua vida ele manifesta a palavra de Deus dirigida ao Apóstolo Paulo, que diz, "...a minha graça te basta" ou ainda, "...não mais eu, mas Cristo vive em mim... e a vida que eu vivo, vivo-a pela fé no Filho de Deus". Edvaldo é um homem que não tem nada, ou quase nada. Mora sozinho numa casa de 16 metros quadrados, sem luz, sem água, sem sanitário, todos os seus móveis resumem-se a uma cama velha e uma estante não menos usada. Casinha simples, de chão batido, sem rebouco, com dois comodos, cuja porta da frente é apenas um pedaço de tábua, que serve para que as cabras que pastam por ali não entrem. O xodó de Edvaldo é o seu fogão à lenha, que ele mesmo construiu. Aliás, quando nós passamos por lá, ele estava cozinhando uma porção de feijão numa panela encardida pela lenha (pelo que percebemos, era tudo o que ele tinha para comer naquele dia).
Mas, apesar de tanta escassês, Edvaldo demonstrava uma alegria imensa, e essa alegria tinha nome: Jesus, o único bem valioso que ele possuia. Pra quê mais do que isso?
Este mesmo Deus nos permitiu encontrá-lo. E que bom tê-lo encontrado, que bom tê-lo conhecido!
Foi uma das experiências mais marcantes da minha vida, pois eu estive com o cristão que não sabia ler (por isso não tinha acesso a bíblia) que estava praticamente isolado da igreja, que morava afastado de quase tudo e de quase todos, mais que demonstrava patente, a abundante graça do Senhor, encarnando a verdade de que a satisfação não está nas coisas ou nos lugares. Ele não pregou para nós através de palavras, até por que ele não é um sujeito eloquente. Mas eu afirmo com toda franqueza: Em poucas ocasiões da minha caminhada cristã, alguém me falou de Jesus com tanta propriedade, com tanta clareza.
Seu abraço, seu sorriso e cada gesto que ele fazia, pronunciava, escancaradamente, que Cristo vive e reina com soberania. Que a paz, aquela "que excede a todo entendimento", é manifesta de maneira contrária a nossa compreensão humana.
Aquele Davi sertanejo (o cabra tem no máximo 1,50 m.) abateu gigantes do meu eu. E a pedrinha que ele usou foi o seu sorriso, a sua alegria incondicional... Que queda! Ainda estou atordoado do tombo, porém, mais consciente das minhas imperfeições e grato à Deus por aquele memorável e transformador encontro. Eu espero um dia voltar por lá e revê-lo. Então, até lá e que Deus continue te abençoando, Edvaldo.

Um comentário:

Elio Rocha disse...

dogi disse...
Muito bem Edivaldo! Sua casa está sendo vista por este Mundão de Deus! Sendo que eu sou um privilegiado Em poder conhecer o Elio e o Marcos neste projeto lindo. Parabéns!